sábado, 17 de dezembro de 2011

A navegar assim...

imagino teus olhos colados nos meus
quero o desenho deles cheios no rosto
rabisco o lápis doces laços ateus
na frente cores de fundo leio fosco

dezembro acende suas tochas
enfim esse mormaço cansaço preguiçoso
o destino comigo diverte suas troças...

que venha o ceu ou um inebriante inferno
tudo vale a alegria de pensar queira
nos meus braços antes do flamejante inverno
tua alma de corpo decifrar inteira...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

que se dane!

segunda-feira com sol melhor
muito mais que com chuva
doce e manso arrebol
caindo em mim feito luva...

pés nunca cansados e deslizam, aprendizes
sobre a grama, areia, tacos e um ardente asfalto,
dez dedos pulam inquietos abaixo e mais dez acima felizes
vivas ao meu coração teima sem razão ainda pulsa incauto

domingo, 13 de novembro de 2011

Vargem

estouvado
arrais de capote
regato relogio
sutache vermelho
sibilo na caixa
de estoque
joeirar trigo
do chapéu coelho
olhos perpassar teus sentidos...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Luz

eu

longe veio aqui
navio
de
gente transbordando de rir
nesta
restinga
lamparinas cheias de lua...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quem tem competencia se estabelece

a terra firme estremeceu
do lago plácido nascem ondas
o sol surpreso escondeu
seus raios nas escuras sombras

foi nesse interessante cenário
que daqueles lábios surgiram
palavras que nem o mais sábio
dos sacerdotes curiosos ouviram

disse o frágil e contido ser
minha amada a noite e a lua nos brinda
eu me caso, sim, quando me estabelecer
eu viverei contigo até que a luz finda...

sepulcral o silêncio preenche o arauto
na vela a chama antes altiva sucumbe
levada pelos ventos gélidos do planalto
a donzela desaparece imóvel sobre o betume...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O outro

falar mal da vida alheia
só perde para o futebol
mas aqui a gente colhe o que semeia
e o perfume vira um dia formol


fazer o quê se a minha vida não tem graça
o que aquele faz parece bem interessante
por mais que tento não há o que faça
tirar os olhos a vítima meu semelhante

precisamos manter a conversa
por mais que esculhambemos o outro
contar veneno a história com pressa
enriquece o enredo mais torto

Passamos a vida assim julgando
já de manhã vestimos impecável Toga
ai de quem não estiver matraqueando
pobre do infeliz que sai da toca!

sábado, 29 de outubro de 2011

A cebola

De todas que amei tu és a mais presente
tua presença dói fecho os olhos
e mais distante tanto mais ausente
tão logo que a sinto brotar nos poros

a vida a arte a parte que se quebrou
não há conserto não há enxerto
o querer degustá-la nos teus pedaçoes cessou

e o que enxergo vista embaçada
não há cabresto não há pretexto
no final só o tomate e táboa molhada...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

BO

e o amor teve seu fim selado
em uma pequena sala de delegacia
mais um BO impetrado
motivado por mais um corno desgovernado
todos cientes ele nem sabia...

que quando uma mulher
está deveras diferente
ou já quis e teve ou quer
tudo menos o que está à sua frente

pobre diabo! contente-se com o olhar embevecido
da delegada Rosicler...casada e tão diligente